O CERAP & AS PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS
Apresentação do Laboratório e temas de investigação, editorial de Danis Bois, director do CERAP
Em Junho de 2004, o Reitor da Universidade Moderna de Lisboa (UML) propôs-me a criação, em colaboração com os professores Marc Humpich e Maria Leão, um Centro de Estudos e Investigação Aplicada em Psicopedagogia Perceptiva (CERAP). Desde logo aceitámos vivamente este desafio.
Eu observava nesta proposta a oportunidade de realizar projectos de investigação que permitiriam dar um quadro científico às disciplinas emergentes que são a somato-psicopedagogia e a psicopedagogia perceptiva, as quais são leccionadas na UML no contexto de uma pós-graduação (DESS) desde Setembro de 2000 e de um mestrado (DEA) em psicopedagogia perceptiva desde Abril de 2004. Estando este primeiro objectivo atingido, pretendo num futuro próximo introduzir nos nossos programas de investigação a fasciaterapia-somatologia, disciplina que viu nascer o meu percurso de praticante investigador.
A população que frequenta as nossas formações é constituída em grande parte de profissionais da saúde que colocam o corpo e a percepção no centro do seu acto terapêutico e pedagógico (fisioterapeutas, osteopatas, médicos, psicoterapeutas, profissionais da psicomotricidade, etc.) mas também formadores no domínio das ‘artes vivas’ e especialistas em comunicação, já que baseámos os nossos projectos de investigação sobre a formalização de um quadro de aprendizagem centrado sobre a relação perceptivo-cognitiva da pessoa que aprende.
O modelo que propomos é o da Modificabilidade Perceptivo-Cognitiva (Bois, 2005) que se inscreve na disciplina universitária das «Ciências e Pedagogia da Saúde». Esta escolha teórica inscreve-se numa história das teorias da formação e do cuidar, dois campos que consideramos como indissociáveis.
A originalidade da nossa prática formadora situa-se no acompanhamento de um sentido imanente emergente de uma relação particular à experiência sensível do corpo. A investigação associada a este tipo de vivência é evidentemente subjectiva e implicadora, pelo que necessita de uma postura de investigador adequada, que assuma o seu carácter implicado. Somente uma definição rigorosa desta postura pode permitir o desenvolvimento de uma caminhada compreensiva e interpretativa válida, face à ligação existente entre uma experiência corporizada e a possível transformação existencial do adulto em formação. Deste modo, pode emergir uma nova contribuição no debate entre práticas formativas e práticas terapêutica, numa postura epistemológica de inspiração fenomenológica e hermenêutica que autoriza a participação do investigador no processo da sua investigação.
Aceder a uma expressividade gestual ou verbal autêntica a partir de uma experiência corporal extra-quotidiana, instaurar uma relação a si renovada através da mediação do corpo, aceder a um conhecimento imanente, tudo isto não se oferece naturalmente e necessita da implementação de métodos específicos de acompanhamento.
No decorrer das formações, o quadro pedagógico que propomos apoia-se na prática de situações extra-quotidianas (Bois, 2005) – relação de ajuda manual, gestual e introspectiva sensorial – tal como das análises da prática e da vivência realizadas a partir de dados recolhidos durante as entrevistas através da mediação corporal. As análises efectuadas oferecem observações sobre as capacidades que as pessoas têm de mobilizar os seus recursos, que pode ser relacionado com o que Gardner designa de inteligências corpo-cinestésica, intra-pessoal e inter-pessoal (Gardner, 1983/1997). Mas estas observações demonstram sobretudo que é possível educar aquilo a que escolhemos nomear de inteligência sensorial (Bois, 2001). A definição precisa desta forma particular de recurso perceptivo-cognitivo, bem como as condições de emergência e de desenvolvimento, constituem uma das perspectivas principais dos nossos trabalhos actuais de formalização.
A entrevista verbal através da mediação corporal e sensível (Bois, 2005), num objectivo pedagógico ou curativo, é específica à nossa abordagem, já que oferece à pessoa a possibilidade de fazer a experiência de uma vivência corporal, um lugar onde a palavra advém na primeira pessoa. É sobre esta vivência corporizada que a pessoa é convidada a desencadear a sua reflexão e a sua compreensão das significações que emergem da sua experiência.
Notemos que este modelo de entrevista terapêutica pode igualmente encarar-se como uma investigação de investigação quando é aplicado num objectivo de recolha, de categorização e de análise dos dados, no contexto de trabalhos de investigação. Este exemplo ilustra a que ponto a prática e a investigação estão intimamente ligadas na nossa abordagem.
Os nossos programas de enriquecimento perceptivo-cognitivo e cognitivo-comportamentais, juntamente com as suas funções de desenvolvimento das potencialidades no quadro de uma formação experiencial de adultos, encontram assim um prolongamento no percurso consistente de conduzir um praticante a passar da postura de terapeuta à de praticante reflexivo e de praticante investigador. Compreendemos então as diferentes posturas dos investigadores que publicam os seus trabalhos de investigação do site do CERAP.
Para resumir, a metodologia do CERAP é utilizada em quatro direcções:
1. Construir condições de uma caminhada compreensiva existencial auto-referenciada;
2. Enquadrar a aquisição de um conjunto de saberes processuais para os profissionais implicados pela evidência da educação somática;
3. Permite o desenvolvimento de uma especialização prática e conceptual no acompanhamento em somato-psicopedagogia de uma pessoa em transformação;
4. Evidenciar os procedimentos de avaliação qualitativa no contexto das investigações em curso, nomeadamente sobre a questão da emergência de um conhecimento imanente a partir de uma certa relação ao corpo.
Desejamos, os meus colaboradores e eu mesmo, criar, através deste site um pólo de reflexão que permita trocas de pontos de vista sobre o lugar do corpo sensível nos processos de aprendizagem educativos, formativos e existenciais.
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Investigadores
Coordenadores do CERAP
Prof. Danis Bois : coordenador do CERAP
Professor catedrático convidado do departamento de psicopedagogia e ciências da saúde da Universidade Moderna de Lisboa (UML)
Resumo biográfico
Prof. Marc Humpich : co-coordenador do CERAP
Responsável das aulas em psico-sociologia da Universidade do Quebeque, em Rimouski, Professor associado do departamento de psicopedagogia e ciências da saúde da UML
Prof. Maria Leão : co-coordenadora do CERAP
Professora auxiliar departamento de psicopedagogia e ciências da saúde da UML.
Investigadores
Corinne Arni
Pós-Graduação em Psicopedagogia Perceptiva em Portugal
Dr. Didier Austry
Doutorado em ciências, pós-graduação em formação, professor visitante do departamento de psicopedagogia e ciências da saúde da UML
Eve Berger
Professora visitante do departamento de psicopedagogia e ciências da saúde da UML, Doutoranda-investigadora em Ciências da Educação, Laboratório Experice, Universidade Paris VIII, profissional de psicomotricidade
Hélène Bourhis
Professora visitante da UML, Psicopedagoga Curativa
Christian Courraud
Professor visitante da UML, Psicopedagogo Curativo
Emmanuelle Duprat
Psiquiatra, Pós-Graduação em Psicopedagogia Perceptiva do Movimento em Portugal.
Agnès Noël
Professora visitante da UML, Pós-Graduação em Psicopedagogia Perceptiva
Nadine Quéré
Professora visitante da UML, Psicopedagoga Curativa.
Jeanne Marie Rugira, Ph.D.
Professora da Universidade do Quebeque, em Rimouski.
Catarina Santos
Mestre em Psicopedagogia Perceptiva em Portugal, Psicopedagoga Curativa.
Publicações dos Investigadores do CERAP
Redução fenomenológica époché corporal : Psi-fenomenologie da prática do 'ponto de aopio'
Eve Berger § Pierre Vermersch
Artigo publicado na revista Expliciter, n.º67, Novembro 2006, pp.51-64
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O toque tocante - Exploração fenomenologica do toque terapêutico
Didier Austry
Artigo a ser publicado nas Actas do Colóquio: Fenomenologia(s) da experiência corporal. Clermont-Ferrand, 2 e 3 de Novembro de 2006.
O toque ocupa um lugar fundamental na somato-psicopedagogia. Este artigo pretende explorar o toque nestes múltiplos aspectos; neurofisiológicos, filosóficos (nomeadamente fenomenológicos) e terapêuticos. Através desta exploração em contraste, queremos dar conta da maneira precisa da originalidade da experiência do toque do Sensível.
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A relação ao corpo, um valor adicionado à corrente das histórias de vida em formação
Danis Bois & Jeanne-Marie Rugira
Comunicação que será apresentada no Congresso Internacional sobre Pesquisa (Auto) biográfica (CIPA), Tempos, narrativas e ficções: a invenção de si.
Salvador da Baía, Brasil, dos dias 10 a 14 de Setembro de 2006
Universidade do Estado da Baía – Brasil – Departamento de Educação – Campus 1
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O corpo sensível: que lugar na investigação em formação?
Eve Berger
Artigo publicado na revista Corpo e Formação, Revista Internacional Práticas de Formação, Universidade Paris 8, N.º50, Dezembro de 2005, páginas 51 a 64.
A dimensão sensível do corpo, considerada como a relação à ressonância corporal de toda a experiência, não foi ainda formalizada na investigação em formação. Este artigo propõe algumas pistas para abordar o tema, nomeadamente através de uma abordagem teórica e experiencial do sentido do movimento.
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Acompanhamento e estratégias de atenção aos movimentos
Marc Humpich
Comunicação apresentada no Colóquio Internacional sobre o Acompanhamento e os seus paradoxos – Questões aos científicos, aos praticantes e aos políticos
Fontevraud, Maio de 2003
Esta comunicação aborda uma investigação-acção-formação em torno da dimensão perceptiva do acompanhamento, conduzido desde 1989 pelo departamento de psico-sociologia da Universidade do Quebeque em Rimouski (UQAR).
A escolha de orientar o acompanhamento rumo a percepção do que é comum a todos – as invariantes fisiológicas do gesto humano – permite paradoxalmente a construção de cada um, ultrapassando as clivagens tanto culturais quanto autobiográficas.
Le choix d’orienter l’accompagnement vers la perception de ce qui est commun à tous – les invariants physiologiques du geste humain – permet paradoxalement à chacun de se construire tout en dépassant les clivages tant culturels qu’autobiographiques.
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Projectos de Investigação
Os projectos de investigação do CERAP apoiam-se na experiência sensível do corpo e são objecto de estudo de um mestrado (DEA).
Elsa Braga
Relação entre sintonização somato-psíquica, acção física em movimento codificado e presença vocal.
Projecto de investigação para a obtenção do Mestrado.
Teresa Gonçalves
O lugar do corpo sensível na relação interpessoal.
A influência da consciência perceptiva no processo de transformação na relação a si próprio.
Projecto de investigação para a obtenção do Mestrado.
Hélène Marchand
A entrevista com objectivo formativo.
Entrevista e inter-reciprocidade entre a experiência de uma prática e os modelos teóricos.
Projecto de investigação para a obtenção do Mestrado.
Nadine Quéré
Interacção entre a psicologia, a biologia, o sensível e diálogo manual, e a vivência corporal.
Projecto de investigação para a obtenção do Mestrado.
Formações Universitárias
Danis Bois e a sua equipa de investigadores propõem as seguintes formações que têm lugar na Universidade Moderna de Lisboa:
Curso Universitário Livre da Universidade Moderna de Lisboa 2006-2007 (equivalente a D.U. francês).
Ginástica sensorial na gravidez
Este curso universitário é organizado e leccionado em França, pelo Point d’Appui, sob uma direcção pedagógica e administrativa partilhada pela Universidade Moderna de Lisboa. Os estágios são em Ivry/France.
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Mestrado em Psicopedagogia Perceptiva 2007-2008
Universidade Moderna de Lisboa
Programa em construção
Curso universitário livre da Universidade Moderna de Lisboa 2006/2007 (equivalente a D.U. francês)
Movimento, Arte e terapia. Iniciação.
Este curso universitário é organizado e leccionado em França pela Sociedade Point d’Appui, sob uma direcção pedagógica e administrativa partilhada com a Universidade Moderna de Lisboa. Os estágios têm lugar em Ivry / França.
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Curso universitário livre da Universidade Moderna de Lisboa 2006/2007 (equivalente a D.U. francês)
Movimento, Arte e terapia. Especialização: expressividade e animação de grupo.
Este curso universitário é organizado e leccionado em França pela Sociedade Point d’Appui, sob uma direcção pedagógica e administrativa partilhada com a Universidade Moderna de Lisboa. Os estágios têm lugar em Ivry / França.
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